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Citações de Júlio Dinis




A aurora do amor é a quadra de devaneios e fantasias, em que a vida do coração principia e exerce sobre nós o seu mágico influxo.

A bondade é um rico manancial, que brota lágrimas ao toque da menor comoção.

A loucura é inseparável do homem; umas vezes toma-lhe a cabeça e deixa-lhe em paz o coração, que nunca se empenha no desvairar a que ela é arrastada; outras vezes há na cabeça a frieza da razão e ao coração desce a loucura para o perturbar com afectos.

A mulher sem as fraquezas do coração próprias do sexo não é uma mulher perfeita.

A nossa natureza é feita assim. Adquirido o hábito do mal, até o mal, até a dor, lhe é indispensável.

A publicação de um livro, por muito proveito e glória que traga a um autor, é sempre uma espécie de profanação desses filhos queridos da fantasia, que ele velava e acalentava com um verdadeiro amor de pai.

As mulheres não podem amar um homem em quem os olhares da mais afectuosa simpatia não insinuam calor ao coração.

Às vezes os sentimentos melancólicos trazem consigo algum prazer também, um prazer suave, íntimo, consolador.

Com o amor dá-se o mesmo que com o vinho. Perdoem-me as leitoras o pouco delicado da confrontação; mas bem vêem que ambos embriagam.

É um ensino eficaz o do infortúnio.

Em certa idade as diversões não distraem, afligem. Vive-se do passado, e para que o pensamento o retrate, é mister que o remorso lhe dê a limpidez do lago tranquilo.

Em todas as separações tem mais amargo quinhão de dores o que fica, que o que vai partir.

Em todos os homens a consciência tem só uma maneira de ser. Reprova sempre o mal, aponta sempre a culpa.

Há aparências de dureza que ocultam tesouros de sensibilidade e de afecto.

Há poucas coisas tão fatalmente contagiosas como a alegria das pessoas sérias.

Há uma idade em que a mulher gosta mais de ser namorada do que amada. Entre um amor recatado e reverente e um galanteio indiscreto e ostensivo, não hesita: prefere o segundo. O que lhe enche o coração não é o amor; é a vaidade.

Há uma idade em que a mulher gosta mais de ser namorada do que amada. O que lhe enche o coração não é o amor, é a vaidade.

Mais se aprende na leitura meditada de um só livro, de que no folhear, levianamente, milhares de volumes.

Não sei que moda anda agora de se não considerar o choro como a mais eloquente expressão do pesar! Eu por mim, é dos sinais em que deposito mais fé.

Não tenteis a louca empresa de aniquilar o sentimento, espíritos áridos que infundadamente o temeis, como coisa desconhecida à vossa alma seca e estéril. Quem deveras confia nos destinos da humanidade não tem medo das lágrimas. Pode-se triunfar, com elas nos olhos.

Ninguém sabe porque ama ou porque não ama. É uma coisa que se sente, mas que não se explica.

O amor é um som que reclama um eco.

O defeito das mulheres é não poder imaginar que haja sobre o carácter e a boa ou má disposição de um homem outra influência que não seja a da mulher.

O homem dá a vida pelo amor, e julga não ter dado nada.

O instinto feminino é o mais próprio para descobrir o lado acessível de certos caracteres azedos e para movê-los sem os magoar.

Os afectos generosos estendem a sua generosidade aos sentimentos dos outros corações, ainda quando lhes são opostos.

Procura ser tão gentil, tão atraente e tão sedutor na intimidade de tua mulher, como se, de cada vez que te aproximares dela, tivesses de novo de a conquistar.

Quando se não chora, parece que as lágrimas nos caem todas cá dentro e queimam; e o padecimento é então de morte.

Saber sacrificar tudo a um dever é a principal e mais difícil ciência que nós temos de aprender na vida.

Se nos dermos de coração a uma quimera, se ela, nas formas vagas e aéreas que reveste, nos sorrir e namorar, em vão julgamos tê-la pelo que verdadeiramente é; há sempre um ou outro momento em que a acreditamos realizável e até realizada.

Um amor bem verdadeiro, uma vida bem íntima com uma mulher, a quem se queira como amante, que se estime como irmã, que se venere com mãe, que se proteja como filha, é evidentemente o destino mais natural ao homem, o complemento da sua missão na terra.
Júlio Dinis, escritor e médico Português





Biografia de Júlio Dinis:

Profissão: Escritor, Médico
Nacionalidade: Portuguesa
Nascimento: 14 de novembro de 1839

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